Quarta literária; Carlos Drummond de Andrade
A grande Sala de Leitura, sim, a Biblioteca. Rica e diversa. Cheia de livros e de gente.
Meus colegas frequentavam muito a Biblioteca da escola. Por vezes fui e não pude entrar por falta de espaço.
Haviam livros que não estavam disponíveis para empréstimo, portanto tinham que ser lidos lá mesmo.
Li vários assim. Li Drummond. Antologia Poética. Li, e como li. Mas o primeiro contato com a poesia de Carlos Drummond de Andrade se deu antes, nos livros didáticos do fundamental. Sempre vi ali um verso ou outro dele. O que mais me lembro é:
Mundo vasto mundo
Se eu me chamasse Raimundo
Seria uma rima
Não seria solução
Mas mundo vasto mundo
Mais vasto é o meu coração.
Versinho que ficou em minha cabeça de infante. Conhecido de muitos, belo e nostálgico, amava ler e reler.
É fácil para uma criança se encantar com poesia, desde que lhe seja ofertada. Por isso, creio eu, não me acovardei diante das trezentas e quantas páginas de poemas reunidos e organizados pelo próprio Drummond na Antologia.
Hoje, muitos anos depois, relembro o quanto me encantava sentar e ler poesias a fio. Me parecia estranho ler assim, uma atrás da outra. Poesias merecem algo de reflexão, contemplação... Mas não poderia refletir muito na época. Usava meus vinte minutos a cada dia lendo Drummond até que terminei o livro.
Tempos depois, uns anos atrás voltei minha atenção para ele e li A Rosa do Povo. Que jóia! Mas nunca em realidade procurei saber muito sobre o próprio poeta. E é desnecessário.
Humilde. Descobri por aí que Drummond não se achava lá essas coisas. Honrava, reconhecia e elogiava Olavo Bilac, Mário de Andrade... Recusou prêmios, não dava entrevistas... Ele disse e é verdade: o que escreveu é o que ele é, seus escritos são incessantes entrevistas. Mas ele era sim dos melhores, senão o melhor dos poetas brasileiros. O mais popular provavelmente. Quem nunca disse "e agora José?"
Quem dera eu tivesse memória e bagagem cultural suficiente para escrever mais e melhor sobre Carlos Drummond de Andrade. O que posso é fazer um recorte de memória, e rogar que a influência dele guie minhas ânsias de cronista.



Comentários
Postar um comentário