Pelado, pintado de verde, num eterno domingo
Olha só o que encontrei num dos meus livros antigos:
" O índio não entendia por que os brancos, desde sua chegada ao Brasil, precisava tirar tanta madeira das florestas."Seria para leva-la a algum deus?", perguntou certa vez um índio tupinambá em 1558, de acordo com o relato do francês Jean de Lery, em seu livro Viagem à Terra do Brasil.
O branco explicou que a madeira seria levada para um homem do outro lado do oceano. Esse homem ia fazer tinta com ela para tingir muitos tecidos e depois vende-los. O índio, porém, não entendeu para que vender tanto tecido e acumular tantos bens.
"Esse homem não morre?", indagou o índio.
O branco respondeu que sim, morria, mas que acumulava bens para deixa-los aos seus descendentes quando morresse. O índio então concluiu, perplexo:
"Sois grandes loucos...trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu, suficiente para alimenta-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que, depois de nossa morte, a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados".
( Jean de Lery, Viagem à Terra do Brasil, p. 170)
Claro está, que tamanha loucura permanece e cresce ao passar do tempo. Embora haja muitos de nós que tem consciência de que ser consumidor não se resume a ser comprador, relaciona-se também com ser destruidor, basta olhar ao redor, que é possível ver que a maioria não pensa duas vezes antes de comprar, consumir, descartar, e então, comprar novamente, para consumir e descartar. Os motivos para o consumo desenfreado são vários, e não me sinto capaz de descreve-los e analisá-los todos, porém, reparo que todos os caminhos levam a uma causa primária: ego. O cidadão não compra tanto por que tem dinheiro de sobra, mas por que sente necessidade de mostrar que tem dinheiro de sobra, mesmo que as vezes não tenha de fato. E há ainda um agravante adicionado a essa loucura, enquanto o "homem do outro lado do oceano", citado no livro, acumulava bens para deixá-los aos seus descendentes, atualmente não há nem mesmo essa desculpa para o consumismo. "É melhor me parar antes que eu comece, mas deixe-me dizer":"É um mistério para mim
Nós temos uma ambição com a qual concordamos
E você pensa que você tem que querer mais do que precisa
Até você ter tudo, você não estará livre"
Por Tyra,
Publicado originalmente em Pós Capuccino


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