No meu 2 de Julho
Eu sou baiana,
esse povo que nada fez pela independência do Brasil
Esse povo preguiçoso que não conhece cabo de enxada
nem ponta de caneta
Essa gente mulamba que nada sabe de moda ou de música
Sou desse pessoal quadrado que nunca criou sua própria cultura ou religião
Nasci dessa terra ingrata que nunca aceitou o diferente
Vivo nesse meio sujo, de sujeitos brutos.
Mas na verdade eu sou baiana.
Baiana da Bahia que lutou bravamente
Bahia de Maria Quitéria,
Maria Filipa (quem sabe?) e Joana Angélica
Sou da mesma gente de Anísio Teixeira e Jorge Amado
Da mesma terra de Caetano e de Mãe Stella
Sou desse povo adotou Pierre Verge e encantou mais um monte
Desse lugar que produziu Marta Rocha e mantém Margareth Menezes
Eu vivo nesse meio que exala suor que cheira Alfazema
Que lava a alma, os pés e o chão
De terreiros a igrejas, entre padres e baianas
Um povo que sorriu e bradou,
Com os pés na lama da feira
Com as mãos nas águas do mar
Mar que não rejeita quem ora a Deus ou dá presente á lemanjá
Terra do Senhor que de alguma forma que não entendo é do Bom Fim.
Eu sou da Bahia Que chora baixinho
Mas ri gargalhando
Por isso passa a ilusão,
uma tal utopia de que não importa o perrengue Sorria,
você está na terrinha
mesmo quando tá ruim,
segue pulando
Atrás de um trio de branco
Ou de um afoxé retumbando.


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