Quem dá o tom?


Tentamos nos unir

Insistem em separar

Tentamos nos unir

Continuam a nos apartar


Dividem-nos entre 

Brancos e pretos

Entre brancos

E pardos


E não se engane 

Nessa equação

O tom da pele 

Não é o x da questão


Se eu sou rica, não sou parda 

Sou branca!

Se sou pobre, não sou branca

Sou negra! Ou parda


Nessa recente hipocrisia

O sobrenome dita a dança

Pouco importa a miscigenação

Se tem herança: é branca!


Queria ter aqui o Boca de Inferno

Falar com honestidade e sapiência,

Sobre essa dicotomia absurda,

Onde se questiona a consciência


O que eu vi acontecer foi: 

Eu gosto dela, e era branca,

Hoje se diz parda

Parabéns, coragem de declarar a raça!


Não gosto dele, e é declarado pardo,

Que me importa negro na família?

Que importa DNA e ciência?

Debocho, chamo de afroconveniencia


Caminhamos ainda o mesmo caminho

Segregados, amargurados

Apegados aos grilhões

Pois se libertos, quais serão nossas paixões? 

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