Inalando florzinhas

Paraíso Selvagem - Violet Winspear

 Temple sorriu ironicamente, pensando na garota da ilha que havia colocado flores no cabelo para encantar Nick Hallam. - Não me preocupo com as peculiaridades da vegetação oriental. E com as pessoas daqui que tenho que tomar cuidado.

Verdade seja dita qualquer perigo oferecido pela fauna ou flora de uma região, são nada se comparados a aventura que é lidar com o ser humano. 

 As pessoas, de um modo geral, nem sempre são fáceis de conhecer. - Ryk encostou-se contra o peitoril da varanda: uma figura alta sob a luz sombria das lanternas. - E, você sabe, esse conhecimento nunca se consegue sem conflitos.

O conflito pelo que entendo, reside na descoberta do diferente. No momento em que ao olhar para outro não vemos o que esperamos. Não vemos nosso reflexo ou nossas expectativas. E muitas vezes acontece então a tentativa tola de mudar o que ali está posto. De moldar o outro para caber dentro de nossa pequena noção do ideal.

 Você acredita que terá atritos comigo? - Temple arrancou uma folha de uma árvore de cânfora, esmagando-a entre os dedos. O aroma forte da folha predominou por alguns instantes sobre os outros perfumes. Aquele cenário combinava com o dono daquele lugar, com sua presença forte, seu ar envolto em mistérios...

 O choque de idéias e opiniões é inevitável - disse ele de maneira serena. - Você é mulher... eu sou homem.

Simples assim. Não há o que discutir. Somos diferentes. E essa diferença é fascinante. É necessária. 

 Mas eu consegui enganá-lo durante algum tempo! - Começou a rir, mas logo em seguida interrompeu-se, ao ver que ele se voltava para ela, repentinamente, com um vislumbre de perversidade nos lábios.

 O que você diria, se eu lhe confessasse agora que fui enganado por você apenas por um momento?

Ela suspendeu a respiração. - Você só foi descobrir que eu não era um rapaz quando me despiu para me colocar seu paletó de pijama?

             Percebi que você não era um rapaz quando a tomei nos braços, para levá-la à cabine. As aparências enganam apenas enquanto são aparências, não quando se toca nelas.
                
               Aparências não suportam intimidade. Nenhuma aparência sobrevive ao toque da descoberta. As aparências enganam os que permanecem na superfície segura do não conflito, do não diálogo, do não contraditório. Arrisque tocar, conhecer, discutir e aceitar as diferenças, e nenhuma aparência será perigosamente enganosa.

Essa minha mania de ler demais onde há só um romance água com açúcar. 
Carl Probst


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