Misery, o filme do livro
Dia 6 de julho de 2022 o ator norte-americano James Cann dormiu, ou como a maioria diz, morreu. Qualquer fã de cinema o reconhece como parte importante do elenco de O poderoso chefão, pelo menos. Mas, falemos hoje sobre Misery-Louca Obsessão, um outro filme com o próprio James, baseado em no romance homônimo de Stephen King. Acompanhamos ali como um famoso escritor - Paul Sheldon - é "salvo" da morte acidental para viver um período sob o perigo de morte iminente nas mãos de sua "fã número 1", Annie, que é interpretada por Kathy Bates, que ganhou um Oscar por sua atuação.
Não cabe aqui fazer um resumo do filme, apenas quero falar do que paira no ar, pelo menos no meu ar, enquanto expectadora.
Liberdade. Liberdade criativa.
Annie vai de adoradora incondicional de Sheldon e sua obra, à crítica feroz destruidora de livros num estalar de dedos.
Num momento o bajula apaixonadamente, no outro diz que ele fez tudo errado e perdeu o talento. Devora seus manuscritos com fogo de leitora e com fogo literal em ocasiões distintas.
As reações de Annie "boas" ou más, dependem da disposição de Sheldon submeter seu dom criativo, às expectativas de sua fã. Nada surpreendente.
Parece que a chance de sobrevivência dele está ligada ao suicídio de sua autonomia como escritor. Mas espera, permitir-se morrer assim, vale a pena? Figurativamente, e de fato, Annie lhe quebra as pernas, e o torna totalmente dependente dela.
O paralelo é tão óbvio.
A obrigação, suposta as vezes, de se adequar ao ambiente, moda, demanda, nos aleija. A necessidade monetária, nos aleija. O desejo de aceitação nos aleija. O medo de errar nos aleija. E infelizmente, o amor, suposto as vezes, real em outras, nos aleija.
Fazer concessões na vida, é necessário, sempre será. É preciso fazer desvios e ajustes. Vivemos em sociedade e permanecer nela nem sempre é um passeio no Parque da Cidade. Mas quando não se dá limites, ou quando o outro não reconhece os limites, o descontrole é inevitável e ironicamente ficamos debaixo do controle alheio. Nada saudável.
Um fã, um par, um familiar, um ideal, um coletivo, uma crença, um ídolo, uma conta bancária, um futuro promissor... Qual dessas coisas vale um aleijo? Um sacrifício?
E depois de tudo, como viver com as pernas quebradas?
Bom, há muletas por aí, certo?
"Me encanta que os críticos tenham gostado e espero que os leitores também gostem, mas eu escrevi para mim."
Paul Sheldon.
Misery, Louca Obsessão é um filme de 1990, e, por enquanto está disponível na Amazon Prime. O livro eu não li, e daí? Quem sabe um dia. Estou estreando aqui uma coluna de sexta-feira? Espero que sim e que a mantenha. Promessas, promessas... Mas por enquanto faço o que quero e escrevo quando quero, e aproveito bem essa liberdade.
Postado também em Pós Capuccino.




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